Seja bem vindo. Aqui você poderá conferir os Gabaritos do Vestibular 2003 da UFPR.

(15/12/2002) Língua Portuguesa

Leia o texto abaixo

Que há em comum entre o carnavalesco, o técnico de futebol e o marqueteiro político? Primeiro: eles não entram em campo. São, por natureza, profissionais de ensaios e bastidores. Segundo: não se prendem à cor da camisa. Podem defender um time, escola ou candidato hoje, e amanhã o time, escola ou candidato oposto. Terceiro: cada vez mais, roubam o espetáculo. Os imperativos de discrição e de silêncio que seriam de supor em quem ali está para preparar e coordenar o espetáculo, mas não é o espetáculo, têm sido largamente superados pela compulsão da exposição e pela sofreguidão dos egos.
O carnavalesco, até alguns anos atrás, era um desconhecido. Um pobre funcionário de segundo plano, mais desconhecido que a mais humilde das integrantes da ala das baianas, mais ainda que o gari que limpa a pista depois da passagem da escola. Foi então que, em 1976, com um primor de desfile, na Beija-Flor de Nilópolis, e a frase que lhe foi atribuída ("Pobre gosta de luxo. Quem gosta de pobreza é intelectual"), Joãosinho Trinta deu corpo e alma à profissão.
O técnico de futebol nunca foi um desconhecido. Sempre foi profissional prestigiado. Mas era um participante discreto no conjunto do espetáculo. Mais propriamente, era invisível. De uns anos para cá, desde que o técnico foi liberado para ficar junto ao campo e dar instruções durante o jogo, a profissão mudou de natureza. O técnico virou parte do show.
Bem, se os carnavalescos e os técnicos adquiriram tais culminâncias, que dizer dos marqueteiros? Seu prestígio é tal que aumenta a cada dia o reclamo de que Duda Mendonça e Nizan Guanaes se enfrentem diretamente nas urnas. "Chega de intermediários!" Guanaes é um profissional que fez decolar uma candidata com base em uma única qualidade: a de ser mulher. Roseana, diga-se, nesse ponto tem todo o merecimento, pois realmente é mulher. Não está fingindo, como tantos políticos fazem. Já Duda Mendonça foi além do que iria um técnico. Ao mudar de Paulo Maluf para Lula, não é que tenha trocado o Corinthians pelo Palmeiras, o Flamengo pelo Vasco ou o Atlético pelo Cruzeiro. É muito mais. Trocou Deus pelo diabo. Ou o diabo por Deus - decida o leitor quem, entre os destinatários da troca, merece o papel de Deus e quem do diabo.
(Veja, n. 1734, jan. 2002.)

Questão:

Segundo o texto, é correto afirmar:


(V) Os técnicos, os marqueteiros e os carnavalescos têm sido cada vez menos discretos em sua atuação profissional.
(V) Um marqueteiro mudar de Maluf para Lula é mais surpreendente do que um técnico mudar de time.
(V) Joãosinho Trinta foi quem inicialmente chamou a atenção para o trabalho do carnavalesco.
(F) As torcidas sempre puderam observar a participação dos técnicos de futebol em campo.
(F) O fato de Roseana ser mulher foi um obstáculo para o sucesso de sua campanha eleitoral.
(F) O carnavalesco, o técnico e o marqueteiro são fiéis a sua escola, a seu time e a seu político, respectivamente.

Comentários do Prof.

Tratou-se de uma questão puramente interpretativa que exigiu do aluno bastante atenção e tranqüilidade para se localizar no texto e vice-versa




HOME | AGENDA | DICAS | RESULTADOS | GABARITOS | CONTATO