UDESC 2007 1ª fase
 

Língua Portuguesa

     
 

Leia o texto abaixo, para responder às questões de 41 a 44.

“É óbvio que o Brasil precisa reverter a desvantagem de descendentes de negros, que saíram da escravidão, e dos índios, que foram dizimados e aculturados. Quanto a isso, não há dúvida. Também não há dúvida de que o país precisa reverter o descalabro em que vivem os brancos analfabetos e miseráveis. Isso significa que a desigualdade brasileira não é uma decorrência da tonalidade de pele, não é contra negros – é contra pobres. (...) As favelas e a mendicância não escolhem os negros. Escolhem os pobres.
Sim, a maioria dos pobres são negros e pardos – e a melhor forma de combater essa
desigualdade é criando oportunidades iguais, abrindo escolas, dando boa educação,
oferecendo bons hospitais, gerando empregos. O Estado tem a missão de oferecer
oportunidades iguais e bons serviços públicos – bons e universais. Quando se naufraga no pântano de ficar criando divisões raciais e étnicas, institui-se um estado capaz apenas de fazer politicazinhas que prevêem a ‘inclusão’ de uma ‘minoria’ aqui, outra‘minoria’ ali. Não queremos ser uma federação de minorias. Queremos ser um país de cidadãos. É isso que interessa a todos os brasileiros.” (André Petry:A estupidez racial. In Veja, 5 jul. 2006. p. 73).

41. Assinale a alternativa correta, de acordo com o texto.
a) Com geração de empregos e serviços públicos bons e universais, as desigualdades sociais do país serão eliminadas.

b) Para o autor, mais que diferença de raça, o que marca a desigualdade no país é uma questão sócio-econômica.
c) O autor é contra a cota de negros para as universidades, porque isso não inclui nelas
todos os pobres do país.
d) Porque foram aculturados, os índios brasileiros acabaram dizimados.
e) As favelas somente desaparecerão com oportunidades iguais para os pobres.

Comentário:
Questão de interpretação de texto. Para o autor, não se discrimina entre negros e brancos, a discriminação é baseada nas desigualdades sócio-econômicas (pobres x ricos).

42. Ainda de acordo com o texto, é correto afirmar:
a) O autor vê as divisões raciais e étnicas como um pântano prejudicial à nossa federação.

b) Divisões raciais e éticas impedem a construção de um país em que todos os cidadãos devem ter os mesmos direitos.
c) Para o autor, no país os negros se encontram em desvantagem em relação aos brancos porque saíram da escravidão.
d) O Sim da linha 7 indica que, para o autor, é válido que a maioria dos brasileiros seja constituída de negros e pardos.
e) Para o autor, a desigualdade brasileira é resultado de uma política de segregação dos pobres, entre os quais os negros se incluem.

Comentário:
Mais uma questão de interpretação de texto. Para o autor, “O Estado tem a missão de oferecer oportunidades iguais e bons serviços públicos – bons e universais”, ou seja, todos os cidadãos devem ter os mesmos direitos.

43. Assinale a alternativa incorreta.
a) A expressão É óbvio (linha 1) exprime idéia de concordância.
b) Em “a maioria dos pobres são negros e pardos” (linha 7) há concordância ideológica; o verbo concordou com pobres, apesar de o núcleo do sujeito ser maioria.

c) O prefixo des-, de desvantagem, repete-se em desigualdade.
d) A forma verbal queremos (linha 13) constitui concordância ideológica; tanto o autor
como nós, leitores, fazemos parte de todos os brasileiros (linha 14).
e) Os que sublinhados das linhas 1 e 2 são pronomes relativos; equivalem a os quais.

Comentário:
O gabarito oficial dá a correta como sendo (c), o que é inconcebível, uma vez que é óbvio ser o prefixo de desvantagem e desigualdade o mesmo des-, expressando “falta de” (falta de vantagem, falta de igualdade). A alternativa (b) deveria ser a considerada correta pois, ao afirmar que há concordância ideológica, falseia a verdade gramatical. A concordância em a maioria dos pobres são é chamada concordância proximal, ou com o termo mais próximo.

44. Assinale a alternativa incorreta.
a) A flexão verbal prevêem (linha 12) equivale a prevêm.
b) Em politicazinhas (linha 12) o diminutivo exprime ironia/menosprezo.
c) Quanto ao acento gráfico, as palavras dúvida, públicos e pântanos obedecem à mesma regra gramatical.
d) Fazem o plural como cidadãos: órgão, cristão, órfão.
e) O pronome Isso / isso (linhas 4 e 14), de terceira pessoa, é grafado com ss porque se refere ao que já foi mencionado no texto.

Comentário:
“Prevêm” seria uma forma do verbo “previr” que não existe. É portanto a alternativa incorreta.

Leia os fragmentos abaixo, para responder às questões 45 e 46.

I –“Olhei desencantado para as árvores tranqüilas cujas folhas refletiam o primeiro sol da manhã. Lá para trás, longe, o mar calmo parecia mais largo e profundo, manchado que estava por uma enorme faixa de sombra negro-azulada.”

II – “Normalmente trago serviços do escritório para fazer em casa. São gráficos, ou cálculos mais demorados, que exigem concentração, maior tranqüilidade de espírito. Às sete e meia da manhã minha mulher vem acordar-me no quarto e eu sei que, sobre a mesa da cozinha, já existe uma toalha bem limpa, um bule fumegante de café, xícaras, pratos com pães e frios a minha espera. Das oito e meia às dez adianto o meu serviço de casa e depois vou para o escritório da firma, na Avenida Central.”


45. Assinale a alternativa incorreta.

a) Em “árvores tranqüilas” (fragmento I) e “maior tranqüilidade” (II) as palavras em
destaque são, respectivamente, adjetivo e substantivo.
b) A expressão “a minha espera” (fragmento II) admite acento indicador de crase.

c) Em “Das oito e meia às dez” (fragmento II), eliminando-se o artigo definido de Das, o acento indicador de crase permanece (De oito e meia às dez).
d) Em “Lá para trás” (fragmento I) trás exprime uma circunstância de lugar.
e) Como a palavra trás, são grafadas com s: análise, atraso, misto.

Comentário:
Resposta correta: (c). Se eliminarmos o artigo de das oito, devido ao fenômeno do paralelismo sintático, este artigo também é eliminado de as dez e só sobraria a preposição a: de oito e meia a dez.

46. Esses fragmentos fazem parte de dois contos que, com outros 19, compõem Relatos escolhidos, de Silveira de Souza (SS).

Analise as afirmações abaixo, a respeito dos fragmentos e do livro em que se encontram.

I – SS retrata, nos contos desse livro, os problemas familiares de uma população
germânica do litoral Norte do Estado.
II – O fragmento I é o último parágrafo de Canário de assobio. Registra a afeição do
narrador, aos oito anos, por um passarinho de banana.
III – O fragmento II é o primeiro parágrafo de um conto que narra como um diligente
empregado de escritório fica perturbado com os gemidos de dor que escuta de um
desconhecido vizinho.
IV – Nos 21 contos desse livro SS expõe pequenas tragédias, com poesia e cunho
psicológico.
V – O mar catarinense é personagem marcante de todos os contos do livro.
Assinale a alternativa que contém as afirmações corretas.

a) Somente as afirmativas II, IV e V são verdadeiras.
b) Somente as afirmativas I, IV e V são verdadeiras.
c) Somente as afirmativas I, III e V são verdadeiras.
d) Somente as afirmativas II, III e V são verdadeiras.

e) Somente as afirmativas II, III e IV são verdadeiras.

Comentário:
A afirmativa I está incorreta porque não temos população germânica do litoral Norte no livro. A afirmativa V é incorreta porque o mar catarinense não é tema, e nem personagem dos relatos. As personagens são pessoas simples que vivem em Florianópolis – jornalista, funcionário público, pai de família, entre outros.

47. Assinale a alternativa incorreta, em relação a “Olhei desencantado para as árvores tranqüilas cujas folhas refletiam o primeiro sol da manhã”.

a) Em para as árvores há circunstância de lugar.
b) cujas é pronome relativo e se refere a árvores.

c) Para maior ênfase da frase, o substantivo folhas deveria ser precedido de as (cujas as folhas).
d) Passando “refletiam o primeiro sol da manhã ” para a voz passiva, o núcleo verbal fica era refletido.
e) As formas verbais Olhei e refletiam encontram-se, respectivamente, no pretérito perfeito e imperfeito do indicativo.

Comentário:
alternativa (c). Nunca empregamos o artigo as fora do pronome cujas, uma vez que já está embutido no pronome, assim, a norma culta repele tanto as cujas como cujas as.

O fragmento abaixo faz parte do romance Dois irmãos, de Milton Hatoum; com ele se relacionam as questões 48, 49 e 50.

“Foi Domingas quem me contou a história da cicatriz no rosto de Yaqub.
(...)
Era uma tarde nublada de sábado, logo depois do Carnaval. As crianças da rua se
alinhavam para passar a tarde na casa dos Reinoso, onde se aguardava a chegada de um cinematógrafo ambulante. No último sábado de cada mês, Estelita avisava as mães da vizinhança que haveria uma sessão de cinema em sua casa. Era um acontecimento e tanto. As crianças almoçavam cedo, vestiam a melhor roupa, se perfumavam e saíam de casa sonhando com as imagens que veriam na parede branca do porão da casa de Estelita.”

48. Assinale a alternativa incorreta, em relação a “As crianças da rua se alinhavam para passar a tarde na casa dos Reinoso, onde se aguardava a chegada de um cinematógrafo ambulante”.

a) Na expressão dos Reinoso há circunstância de posse.

b) São, respectivamente, substantivo, preposição e adjetivo: rua, na, Reinoso.
c) O pronome se, em se alinhavam, é reflexivo e se refere a As crianças.
d) Em “onde se aguardava” onde é pronome relativo; equivale a na qual.
e) A oração para passar a tarde na casa dos Reinoso indica finalidade.

Comentário:
alternativa (b). Reinoso não é adjetivo e sim substantivo e na não é preposição, e sim uma contração da preposição em + o artigo a.

49. Assinale a alternativa incorreta.

a) A história de Dois irmãos tem início em 1910 e termina no final da década de 60 quando, durante o regime militar, Yaqub é preso e desaparece misteriosamente.
b) O rio Negro, as chuvas fortes, as enchentes e as frutas típicas da região amazônica aparecem como pano de fundo do romance.
c) O tema central do romance é o conflito entre os irmãos gêmeos Omar e Yaqub, filhos de imigrantes libaneses.
d) Os irmãos eram apaixonados por Lívia, com quem Yaqub casou.
e) Halim era avô do narrador, filho bastardo de Omar.

Comentário:
Está errada a afirmativa porque Yaqub não é preso, ao contrário, ele casa-se com Lívia, fixa residência em São Paulo e torna-se um homem bem sucedido.

Obs: A Questão E também está incorreta, pois a paternidade de Nael, o narrador, não é confirmada no decorrer da narrativa.

50. Assinale a alternativa incorreta.

a) Osmar era o filho preferido de Zana, que tudo lhe perdoava.
b) A cicatriz em Yaqub foi provocada por seu gêmeo Omar.
c) Irmã dos gêmeos, Rânia, substituiu o pai no pequeno comércio que mantinha a família.

d) Antenor Laval, professor, poeta e amigo de Omar, a conselho de Halim viajou para o sul do Líbano, onde morreu.
e) Domingas era a empregada da casa dos gêmeos e mãe do narrador da história.

Comentário:
A afirmativa está incorreta porque o poeta foi morto nos primeiros dias do Golpe Militar de 64.

Obs: A afirmativa A também esta incorreta, pois não temos personagem com o nome de Osmar em Dois Irmãos, e sim, Omar. A questão deve ser anulada.


51. Analise os enunciados em relação à obra Dom Casmurro.

I – O romance Dom Casmurro é narrado em terceira pessoa; o narrador tem um distanciamento crítico em relação aos fatos narrados.
II – Algumas passagens da obra associam problemas individuais de Bentinho com elementos importantes do contexto histórico da época.
III – José Dias surge na família Albuquerque apresentando-se ao pai de Bentinho como médico homeopata e promove cura, sem remuneração. Convidado a permanecer com a família, aceita; entretanto, quando surgem outras doenças mais sérias, confessa-se charlatão.
IV – O protagonista da obra torna-se um homem muito rico, com a herança herdada de seu pai, que a acumulou durante o período que defendia as causas em seu escritório de advocacia. Depois da morte de Capitu, Bentinho vai para o Rio de Janeiro, para desfrutar sua fortuna na Corte.
V – Um aspecto da estrutura da obra é que há uma irregularidade em relação ao
tamanho dos capítulos, o que contribui para a quebra da linearidade do enredo.

Assinale a alternativa correta.

a) Somente as afirmativas I e V são verdadeiras.
b) Somente as afirmativas I, III e V são verdadeiras.
c) Somente as afirmativas II, III e IV são verdadeiras.

d) Somente as afirmativas II, III e V são verdadeiras.
e) Somente as afirmativas IV e V são verdadeiras.

Comentário:
A afirmativa I está incorreta, porque Dom Casmurro é narrado em primeira pessoa e o narrador não tem distanciamento critico em relação aos fatos ocorridos, já que ele é narrador-personagem. A afirmativa IV está incorreta porque o protagonista Bentinho não recebeu herança do pai. Além disso quando Capitu morreu, ela já vivia na Europa, longe de Bentinho.

52. Assinale a alternativa com um exemplo de colocação pronominal que deve ser evitada na linguagem culta.

a) Nunca te falaria tal assunto, pois sei que te magoaria.
b) “Não me olhem! Não me olhem!, só para chamar a atenção.” (Fernando Veríssimo)
c) O vício que lhe dá origem é a gutembergomania, uma dependência patológica na
palavra imprensa.
d) Digam-lhe que as mulheres continuam passando no alto de seus saltos...

e) Quando sentiu-se abandonada, enlouqueceu.

Comentário:

Questão de colocação pronominal. Todas as colocações estão corretas, com exceção da (e), em que a presença da conjunção subordinativa temporal quando força a próclise: Quando se sentiu abandonada seria o recomendado pela norma culta.

53. Em relação à obra Antologia Poética e a seu autor – Vinicius de Moraes (VM) – , assinale a alternativa incorreta.

a) A predominância de figuras de linguagem na obra, e a linguagem do autor, que é
ambígua, paradoxal, complexa, simples direta e popular, dificultam o entendimento de alguns textos.
b) A poesia crítica, o cotidiano, a valorização do momento presente, a religiosidade são consideradas características do poeta.
c) O soneto, que fora bastante difundido no período clássico – forma de poesia com quatro estrofes, divididas em dois quartetos e dois tercetos –, é marcante na poesia de VM.
d) A mulher é tema constante na obra de Vinicius de Moraes, representada como sinônimo de beleza e sensualidade.
e) Descompromissado de combater o passado, VM coloca o cotidiano como temática
preferida, sem, no entanto, abandonar as formas clássicas já consagradas.

Comentário:
A letra A está incorreta primeiramente porque não há dificuldade para o entendimento dos poemas de Vinícius de Morais. Por outro lado a caracterização ‘”complexa” e “simples, direta e popular” se contrapõe. Existe paradoxo em alguns poemas e temos muitas figuras de linguagem, porém estas características são colocadas de maneira simples com o autor seguindo ou não a tradição clássica.

54. “Mostrou-lhe a Morte as catacumbas
E suas ósseas prateleiras
Mas riu-se muito, tais zabumbas
Fazia Orvalle na caveira.”

Nos versos acima, Vinicius de Moraes:

a) sugere que a atividade poética não consiste apenas em rimar vocábulos.

b) fez uso da rima e dos metros tradicionais.
c) utilizou neologismos e figuras de repetição sonora.
d) seguiu a linha dos simbolistas e parnasianos, que utilizavam verso livre, vocabulário rico, complexo e raro.
e) procurou revelar a percepção onírica do mundo, que é uma de suas características marcante.

Comentário:
A letra A está incorreta, pois a estrofe não se refere à atividade poética, não é este o tema do trecho. A letra C está incorreta, pois Vinícius de Moraes não criou neologismo (vocábulos), porém podemos dizer que tem a sonoridade em “suas ósseas” e “riu-se”. A afirmativa D está incorreta, pois os simbolistas e parnasianos não utilizavam o verso livre, e a estrofe acima estrutura-se em 8 sílabas métricas. A letra E está incorreta porque o tema da estrofe é a morte e não sonho. Além disso é a percepção onírica do mundo não é uma das características marcantes na obra de Vinícius de Moraes.

55. Assinale a alternativa que contém correta a classificação do se.

a) Se Deus quisesse que todos os homens fossem iguais, teria feito todos americanos. – partícula apassivadora.
b) Trata-se de papéis nada importantes. – conectivo integrante.
c) Veremos se haverá trégua nesse longo combate. – índice de indeterminação do sujeito.
d) Quando ele entrou, ela nem se dignou a olhá-lo. – pronome reflexivo.

e) A criança sorria-se feliz. – partícula de realce.

Comentário:
Em (a), o se é conjunção subordinativa condicional; em (b), é índice de indeterminação do sujeito; em (c), conjunção subordinativa integrante; em (d), é partícula integrante do verbo; A alternativa (e) é a resposta, o se é partícula expletiva ou de realce (pode ser retirada da frase sem alterá-la; apenas “realça” o verbo sorrir).

56. Considerando a linguagem, o tema, os personagens, o ambiente, o estilo e a época, entre outros aspectos, correlacione os excertos com a obra e respectivos autores.

(1) “Uma música que comece sem começo e
termine sem fim. Uma música que seja
como o som do vento numa enorme harpa
plantada no deserto. Uma música que seja
como a nota lancinante deixada no ar por
um pássaro que morre.”

(2) “Naquela época, tentei, em vão, escrever
outras linhas. Mas as palavras parecem
esperar a morte e o esquecimento,
permanecem soterradas, petrificadas em
estado latente, para depois em lenta
combustão, acenderem em nós o desejo de
contar passagens que o tempo dissipou.”

(3) “No avarandado branco, onde vão ver a Lua
a moça e o cadete, que a imagina nua,
beijam-se perdidamente a três por quatro.
E o segundo traído sou eu, que não
encontro rima para ‘quatro’.”

(4) “E antes seja olvido que confusão; explico me.
Nada se emenda bem nos livros
confusos, mas tudo se pode meter nos
livros omissos.”

(5) “Alguém caminhando preocupado pelas
ruas da ilha, sempre mais pontilhadas de
rostos estranhos.”



( ) Machado de Assis, Dom Casmurro

( ) Vinicius de Moraes, Nova Antologia Poética

( ) Milton Hatoum Dois Irmãos

( ) Silveira de Souza, Relatos
Escolhidos

( ) Luis Fernando Veríssimo, Comédias
para se ler na escola

Assinale a alternativa correta, de cima para baixo.
a) 3 – 5 – 2 – 1 – 4
b) 3 – 2 – 1 – 4 – 5

c) 4 – 1 – 2 – 5 – 3
d) 3 – 1 – 5 – 4 – 2
e) 4 – 3 – 2 – 5 – 1

Comentário:
Nesta questão observa-se uma incoerência na cobrança, o aluno não deve ser obrigado a decorar trechos do livro.

57. Assinale a alternativa em que a classificação da relação de sentido entre as idéias está correta.
a) Talvez porque nenhuma tivesse os olhos de ressaca, ele permaneceu solteiro. –
temporalidade

b) Falo daquelas coisas que deixamos de fazer porque não temos mais condições físicas e a coragem de antigamente – causal.
c) Você me perguntou se poderia fazer uma pergunta? – explicativa.
d) Quando ele acordava todo mundo com gritos, Halim se assustava (...) – condicional.
e) Drummond tem escrito ótimos poemas, mas eu larguei o Suplemento – adição.

Comentário:
Em (a), a idéia é de causa, não de tempo; (b) é a resposta correta; em (c), o se é conjunção subordinativa integrante, iniciando uma oração que completa o verbo perguntou, da oração principal; em (d) a relação é de tempo; em (e) temos uma adversativa.

58. Analise as frases abaixo, observando a expressão grifada e o seu significado.
I – Ele vivia à toa. = sem fazer nada
II – Ele é um homem à-toa. = que vive sem trabalho
III – Em princípio suas idéias parecem boas. = no começo
IV – O meu dia-a-dia é movimentado. = substantivo comum
V – Meu amigo mora em uma caixa-de-fósforos = recipiente com palitos
Assinale a alternativa correta.
a) Somente a afirmativa III é verdadeira.
b) Somente as afirmativas I, III e IV são verdadeiras.
c) Somente as afirmativas II e IV são verdadeiras.
d) Somente as afirmativas III e V são verdadeiras.

e) Somente as afirmativas I e IV são verdadeiras.

Comentário:
Questão mal formulada e SEM GABARITO, em que se misturam alhos com bugalhos: a frase IV traz para o ‘significado’ de dia-a-dia substantivo comum! Em (a),
a correspondência está correta (à toa = sem fazer nada); (b) poderia também ser considerada correta, uma vez que à-toa pode ser: “que pode ser feito sem trabalho ou esforço” Ex.: um conserto à toa. (Houaiss); (c) está incorreta pois é a expressão a princípio que significa no começo; em princípio significa de maneira geral; (d) é absurda, pois teríamos que concluir que O meu dia-a-dia é movimentado significa O meu substantivo comum é movimentado(!) ; em (e) temos que entender caixa-de-fosforos no sentido figurativo de casa pequena.O gabarito oficial é a letra (e).

 

Com base no texto 1 responda às questões 59 e 60.

Texto 1
“Dona Morgadinha era uma alma simples. Não lia jornal, não lia nada. Achava que jornal sujava os dedos e livro juntava mofo e bichos. O marido de Dona Morgadinha, que ela amava com devoção apesar de seu hábito de limpar a orelha com uma tampa da caneta Bic, estabelecera um limite para a sua compulsão de limpeza. Ela não podia entrar na sua biblioteca. Sua jurisdição acabava na porta. Ali dentro só ele podia limpar, e nunca limpava. E, nas raras vezes em que Dona Morgadinha chegava à porta do escritório para falar com o marido, este fazia questão de desafiá-la. Botava os pés em cima dos móveis. Atirava os sapatos longe. Uma vez chegara a tirar uma meia e jogar em cima da lâmpada só para ver a cara da mulher. Sacudia a ponta do charuto sobre um cinzeiro cheio e erra deliberadamente o alvo. Dona Morgadinha então fechava os olhos e, incapaz de se controlar, lustrava com sua flanela o trinco da porta.

59. Assinale a alternativa correta, em relação ao texto.

a) Quando desafiada pelo marido e filhos, Dona Morgadinha prostrava-se e perdia a
vontade de limpar a casa.
b) Dona Morgadinha não tinha o hábito de ler, para evitar contaminar-se com ácaros; por isso, não entrava na biblioteca.
c) O marido de Dona Morgadinha tinha o péssimo costume de deixá-la falando sozinha.

d) “Sua jurisdição” (linha 5) significa que Dona Morgadinha não podia adentrar à biblioteca.
e) As atitudes do marido contribuíam para acirrar os movimentos de limpeza na casa, nos finais de semana.

Comentário:
A letra A está incorreta, pois no próprio trecho diz que: “Dona Morgadinha então fechava os olhos e, incapaz de se controlar, lustrava com sua flanela o trinco da porta.” Quanto a afirmativa B, D. Morgadinha não tinha o hábito de ler porque achava que jornal sujava os dedos e livro juntava mofo e bichos. E D. Morgadinha não entrava na biblioteca porque seu marido não deixava. A letra C é incorreta porque no trecho não é evidenciado que o marido tinha costume de deixar D. Morgadinha falando sozinha. A letra E está incorreta, pois ao contrario da afirmação, D. Morgadinha quando recebeu a visita do Marajá (amigo contratado pelo marido de D. Morgadinha, o Turcão), a higiene da família decaiu.

60. Assinale a alternativa correta.

a) Os verbos lia, sujava, podia, desafiá-la e sacudia encontram-se todos no pretérito imperfeito do indicativo, enquanto fazia e chegara estão no pretérito mais-que-perfeito do indicativo.
b) Em “atirava os sapatos longe”, o verbo atirar é defectivo; em “Não lia jornal”, o verbo ler é anômalo.
c) “(...) lustrava com sua flanela o trinco da porta”, – a oração encontra-se na ordem indireta; logo, o sujeito é com sua flanela.
d) O vocabulário compulsão, (linha 4) pode ser substituído por desejo, sem que o sentido da oração se altere.

e) Na oração “O marido que ela amava com devoção...”. – a palavra em destaque é um pronome relativo.

Comentário:
Por que repetir um assunto gramatical se há tantos a serem cobrados? Na questão 43, alternativa (e) já se pedira a classificação morfológica do que! Repetindo: a palavra que, podendo ser substituída por o qual, é pronome relativo: O marido que ela amava -> O marido o qual ela amava. Resposta (e). Lamentamos ainda o descuido da alternativa (d) que diz O vocabulário compulsão... – o termo correto seria “vocábulo”.

 

 

COMENTÁRIO GERAL

     
 

O vestibular de Língua Portuguesa da UDESC abordou os seguintes pontos do programa: compreensão e uso adequado da língua (questões 41, 42, 43, 44, 45, 47, 48, 52, 55, 57, 58 e 60); conhecimento lingüístico (todas), compreensão de textos (questões 41, 42, 47, 57 e 59).

As questões 46, 49, 50, 51, 53, 54 e 56 são de literatura e abordaram interpretação textual, conhecimento lingüístico, temática e linguagem empregada nas obras.

Faltaram – novamente (já não houve questões no vestibular anterior) – ser contemplados os tópicos atitude de pesquisa, desmistificação da mídia e uso da tecnologia. Se esses tópicos não serão cobrados, deveriam ser retirados do programa.

A prova da UDESC continua sendo de modelo conservador e errando muito: gabaritos incorretos, questões mal formuladas, repetições de assuntos, omissões de tópicos importantes do programa, erros grosseiros nas questões de literatura em relação aos nomes e a fatos na narrativa. A prova, no geral, entretanto, tem evoluído nos últimos vestibulares, privilegiando a compreensão de textos e o uso eficiente da língua. Esperamos que evolua mais ainda, evitando os problemas que apontamos.

Prof. Ariane Schmidt Desessards
Prof. Edson José Cortiano


 
     
 



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